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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Faça a sua parte

No final do ano passado eu estive no Sertão de Pernambuco fotografando, pela segunda vez, uma ação social e teve um fato que me chamou a atenção em relação ao ano anterior. Foi colocado um brinquedo, este da foto, no pátio de uma escola. As crianças estavam muito mais felizes que no ano anterior. Entendi que criança tem uma única obrigação, a de brincar e se divertir.

Nossos filhos tem acesso a muitas facilidades, coisas que antes não tínhamos, tudo é lúdico e fazemos o possível para dar muito amor a elas. As cobranças começam bem depois. até os 5, 6, 7 anos elas devem apenas se divertir.

Infelizmente muitas crianças não têm este tratamento, não têm possibilidade de brincar, crescem escutando berros, vivenciando violência dentro de casa, alguns sendo espancados por nada, outros que nem casa tem, não conhecem o pai e têm raros, raríssimos momentos de felicidade. E estas mesmas crianças também crescem, viram adolescentes, adultos. Não têm nenhum referencial do que é certo ou errado e encontram nas drogas um consolo ou fuga, depois começam a cometer pequenos delitos e a coisa só tende a piorar.

O fato que hoje está dominando nosso país, do menino João Hélio, tem mostrado que nossa sociedade está indignada com o que aconteceu. E é chocante, prefiro nem falar sobre o assunto, não quero saber dos detalhes, mas sinto que há uma vontade de vingança, de resolver um problema com uma solução simples, rápida. Diminuindo a idade penal, aumentando a pena, alguns até pensam na pena de morte. Acredito que a lei deve ser atualizada, revista e assim deve ser sempre, para isso temos juristas e autoridades. Se são eficientes ou não é outro problema, são os que temos.

Mas, alguém está preocupado em não criar monstrinhos no futuro?

Muitas crianças estão crescendo da mesma forma que estes delinqüentes cresceram. É triste, mas não se fala como começou tudo isso. O mais fácil é punir, enfia-los nas cadeias, que apodreçam e morram por lá. Mas um dia a coisa explode, nasce uma nova facção criminosa e acabam invadindo as ruas, promovendo uma barbárie. Então ficamos todos acuados, reféns, indignados, culpamos as autoridades e assim vamos "resolvendo" nossos problemas, passando a culpa para o outro.

Resolver este problema de uma hora para outra é uma grande ilusão, não há solução a curto ou médio prazo. Mas podemos fazer pequenas coisas. Por exemplo, explicar para nossos filhos que eles não precisam ter um armário cheio de brinquedos, que aqueles brinquedos que só estão fazendo volume no quarto podem fazer outras crianças felizes e assim, ensina-los a compartilhar. Façamos pequenos atos em favor dos outros. Coisas simples, ninguém tem obrigação de mudar o mundo, é cada um fazendo um pouquinho.

Gritar e ficar indignado com este absurdo não vai mudar nada, apenas os jornais vão aumentar as vendas. Eles adoram tragédias. Tragédia é o que mais vende, e quanto mais vender mais notícias e desdobramentos serão publicados, até surgir outro fato.

Se quiser fazer algo verdadeiro, faça o bem. Faça algo que você não faz todo dia, doe um brinquedo a quem não tem, sorria para uma criança de rua. Faça a sua parte e incentive, sem obrigar, o outro a fazer também. Não precisa gastar dinheiro, tão pouco espere ser reconhecido por isso, mas faça a sua parte.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Feira de São Cristóvão, agora tem que pagar!!

A feira, também conhecida como "feira dos paraíbas", é um ótimo programa. É um mercado popular, com todas as quitutes e produtos das regiões Norte e Nordeste, um espaço democrático com vários shows de música e durante o fim de semana funciona sem parar. É um espetáculo. Vale para turistas, cariocas, para quem quer ver um pedaço do Brasil real e também é o ponto de diversão de muitos nordestinos e nortistas que moram no Rio de Janeiro. Lugar de encontro de muitos porteiros, garçons, cozinheiros, ajudantes de cozinha, entre outras nobres profissões.

Antes a feira era no lado de fora do Pavilhão, depois de muitos anos de conversa fiada o Pavilhão foi reformado e finalmente a feira passou para o lado de dentro, com banheiros e um pouco mais organizada. Claro que há pessoas que preferem a feira como era antigamente, mas o fato é que ficou melhor e ainda tem um estacionamento.

A feira é, como disse antes, um mercado popular e esta postagem é para falar de algo que descobri este fim de semana. Meu pai costuma ir até lá para comprar castanhas de cajú e me disse que agora tem que pagar para entrar na feira. Tudo bem, custa R$ 1,00, mas não é um mercado popular?? Um "shopping" do povo, um lugar que que todos vão para se divertir e consumir, seja comida, produtos, artesanatos, bebidas e etc... Não consigo acreditar que estão cobrando para entrar na Feira de São Cristóvão.

Imagine o trabalhador que resolve levar a família para almoçar na feira, já tem que desembolsar uma grana para entrar, fora o estacionamento que custa R$ 5,00 mais o que vai consumir lá dentro.

Se é assim, porque não cobram para entrar em shopping centers, pois são lugares que tem restaurantes, lojas, exposições, eventos, cinema, etc...

A feira é administrada pela Prefeitura da cidade!!!!!

domingo, 12 de novembro de 2006

Favelas

O Rio de Janeiro é rodeado por favelas. Acredita-se que a favela é lugar de gente pobre e que elas são todas iguais. Veja os três dogmas apontados pela sociólga Lícia Valladares, que está fazendo bastante sucesso entre sociólogos franceses.

1 - Dogma da Especifidade - não há estudos comparativos do perfil social dos moradores de favelas com moradores de outras áreas, o que existe é apenas a comparação da favela com os não-favela. Como as favelas tem características geográficas únicas acha-se que o estilo de vida é diferente dos que não moram em favelas.

2 - Dogma da favela como território de pobreza - a idéia de que os pobres moram nas favelas não é mais verdade, pois o custo da moradia já não é mais barato, há diferentes segmentos sociais dentro das favelas e uma expansão de diplomas universitários.

3 - Dogma da unidade - as favelas não são iguais, há diferenças importantes entre as favelas. Não existe "favela carioca", mas sim favelas, e cada uma com características próprias. Já são 100 anos de favelas.

Os dogmas ainda são usados por grande parte dos políticos, mídia e pelas próprias associações de moradores. Para manter as verbas as ONGs internacionais ainda utilizam essas bandeiras.

A realidade é que o perfil das favelas mudou. Não é mais um lugar tão exótico, porém esse exostismo ainda atende muitos interesses.

Vale ler a entrevista da socióloga Lícia Valladares feita por Carla Rodrigues - No Mínimo. Ela tem um bom estudo que contesta uma série de pesquisas sociológicas sobre as favelas cariocas. Vale a pena ler.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A saúde como negócio 2

Continuando a história da saúde. Agora sobre a quantidade de farmácias.

Ontem, caminhando por Copacabana resolvi fotografar farmácias. Numa quadra, na Av. Copacabana entre as ruas Dias da Rocha e Constante Ramos, eu fotografei 5 farmácias.

Claro que o bairro tem muitos aposentados e há uma grande concentração de comércio, mas não consigo entender porque tantas drogarias, duas da mesma bandeira a menos de 30 metros de distância. Isso deve ser um negócio muito bom, melhor que padaria e boteco.

Outro detalhe é que o preço dos medicamentos e produtos oferecidos é práticamente o mesmo. Acho que a indústria da doença, não da saúde, é a que mais cresce no país.

Há uns 10 anos estava viajando de carro de Recife para o Rio e dormi numa cidade do interior da Bahia, chamada Alagoinhas. Fiquei num hotel no centro da cidade, saí para jantar, era quase meia noite num dia de semana e foi difícil encontrar um restaurante, acabei comendo numa lanchonete, mas o que me chamou a atenção foi a quantidade de farmácias abertas, eram 7 num raio de 200 metros.

Ou a maioria das farmácias da cidade estavam ali, fazendo com que o doente ande muito para chegar a uma delas, ou a quantidade é absurda. Em países mais organizados a localização das farmácias é estratégica, pois tem que ter uma a cada 500 metros em média, pois farmácias são lugares de utilidade pública, além de sempre ter um farmacêutico de plantão.

O que vemos aqui é uma bagunça. A farra das farmácias.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Internet livre

Esta história do projeto de lei em que o usuário deve se identificar parece ser um bom motivo para o senador Azeredo mudar o foco das críticas sobre ele. O que ele realmente quer nesta história é fazer com que a mídia pare de falar sobre sua associação com o Valerioduto, criado por ele.

O projeto é mais ou menos como fazer com que os bandidos levem suas armas para registrar. Assim, depois de um assassinato, a polícia saberia quem deu o tiro. Francamente!!!

A polícia já consegue identificar os criminosos na rede, não é fácil, mas é assim que é feito em todo o mundo livre.

É importante que a política fique antenada com a evolução nas comunicações, mas esta história só pode ser para mudar o foco do Azeredo e o lobby das empresas de comunicação que estão morrendo de medo do avanço da comunicação livre.

A saúde como negócio

Aliás, um ótimo negócio.

A cada ano que passa vejo mais farmácias, mais laboratórios de análises clínicas e mais hospitais com cara de hotel aparecerem pelas ruas da cidade. O que está acontecendo??

Parece que a trinca: plano de saúde-farmácia-laboratório encontrou uma receita para acomodar os médicos, menos o doente.

Explico, os médicos estão cada vez mais prescrevendo remédios e solicitando exames. O paciente vai a uma consulta médica, paga com o plano de saúde, o doutor logo pede um exame completo e de cara já receita um par de remédios ou complementos.

Como funciona o círculo: o paciente faz os exames no laboratório, lá eles colocam o CRM do médico no sistema, depois o doente vai a farmácia comprar os remédios e lá também é colocado o CRM do doutor no sistema. Os grandes laboratórios ficam sabendo como cada doutor trabalha e instruem seus "vendedores" para gratificar ou conquistar tal doutor. Assim se faz o círculo da medicina no país. Afinal, porque temos tantas farmácias e laboratórios, com instalações luxuosas e em lugares nobres, de análises clínicas???

No blogue do Nassif tem uma postagem sobre a "Mercantilização da Medicina", vale ler, pois lá um profissional explica os caminhos em relação as próteses que são usadas nos hospitais e como os médicos são induzidos a usar esta ou aquela prótese. Leiam.

Este é um tema que pouco se fala na grande mídia, até porque os laboratórios são grandes anunciantes e então não é de bom tom mexer neste mundinho, não é??

A elite brasileira

Fico impressionado com a falta de sensibilidade dos mais poderosos. Com a divisão de dois Brasis nesta eleição, a nossa elite finalmente mostrou a cara. Deixou de passar a imagem de perfeitos, que são bons e honestos. O que vimos foi uma enxurrada de e-mails, mensagens, conversas e comentários racistas, classistas e mostrando claramente que há medo em que as diferenças diminuam neste país.

A elite fala das coisas e das pessoas do Brasil com um nariz torcido, dizendo que o brasileiro comum é um ser inferior, sujo, bandido por natureza e desonesto. Ora, ora... A elite também é brasileira, nasceu aqui, tem a mesma carteira de identidade e certamente ajudou com suas safadezas educadas de deixar o país na situação que está hoje. Molhando a mão de um guarda, sonegando uma informação para o Imposto de Renda, tirando uma vantagem por ser amigo ou parente de alguém conhecido. Quantos não têm histórias de passar algo na alfândega com a conivência de um fiscal ou ter algum tipo de privilégio em filas bancárias e outras coisas parecidas.

E agora eles fazem uma cara de que tudo está perdido, que o Brasil está na mão de uns bandidos, que não existe mais integridade e por aí vai...

Todos nós somos responsáveis pela nossa triste realidade. Não está certo dizer que "este povo merece este governo", como se a elite não fizesse parte da população.